Desisto, sabe? Tentei começar essa carta de uma maneira bonita e empolgada como: HEY, VOCÊ. QUANTO TEMPO. Mas pareceu tão falso quanto a vontade da humanidade de acordar nas segundas feiras de manhã! Acho que eu nunca vou conseguir te enganar. Esse é o ponto.
As coisas andam bem bagunçadas por aqui. Tormento. Tempestade. Solidão. Não sei descrever, nem me atrevo na verdade. Parece que o tempo tá parado no segundo que me faz sofrer, entende?
De certa maneira eu nem ligo, como você mesma diz: “No final da curva a estrada é reta”. Vai ver um dia a curva termine.
Hoje eu ouvi uma música que dizia: “O fato de você ter visto o mundo afetou suas decisões”. Bem verdade, né? Me pergunto se todas as minhas decisões já não sofreram essas alterações, me pergunto na verdade: Quais foram elas?
O mundo tá todo é de cabeça pra cima, isso sim e de alguma forma é você que altera o meu mundo e o coloca de cabeça pra baixo, sem preocupações ou brigas, nada de ruim sabe? É como o paraíso, mas é tão real.
Eu ainda acordo todos os dias olhando pro céu e dizendo: Que esse dia termine inteiro. Engraçado como eu comecei a incluir nas minha orações matinais o pedido pra que você vivesse mais. Para que você não tivesse essa vontade de morrer todos os dias pra ter que renascer. Espero que tenha funcionado. Tudo bem, acho que peço isso de maneira egoísta: no fundo tenho medo que você, em um desses renascimentos esqueça de mim. Alias, isso é a coisa que mais me assusta no momento.
Não vou falar de amor nessa carta. Vou deixar essa questão para uma outra hora, um outro dia. Quem sabe da próxima vez eu não escrevo mais novidades. Novidades boas.
Tô com saudades de você e dos seus risos. Tô com saudades de conversar contigo. Acho que tá mais que na hora de tu receber aquele puxão de orelha por nunca mais ter me ligado pra conversar nada. Oush!
Soube que arrumou um novo emprego. Espero que você esteja gostando. Espero também que você já tenha melhorado daquelas suas tosses e cansaços etc.
Queria esbarrar contigo qualquer horas. Sem marcar encontro sabe? Como no começo de tudo isso. Meio louco como a vida trás as coisas pra gente. Todos os dias me lembro disso graças a você.
Preciso terminar essa carta, ela vai acabar ficando quilometrica. Prometo escrever outra vez, muito em breve e com mais calma. É que hoje foi um daqueles dias onde o impulso me dominou e eu precisava terminar logo isso.
Te cuida. Te cuido.
Sua velha amiga.
Bruna (Sophia)
